Entrevista Sobre o Trabalho de Ghost Writer

Parte de entrevista concedida a estudantes do curso de Jornalismo da UFSM-RS ( 2010)

1. Em que momento de sua carreira você decidiu trabalhar como ghost-writer?

R. Isso surgiu de forma natural. No início dos anos 90 eu trabalhava em rádio e também como revisor e colunista de um jornal. Um dos colaboradores do jornal, preocupado com as minhas constantes correções e modificações (autorizadas) em seus textos e pela sua falta de intimidade com as palavras, me perguntou sobre a possibilidade de eu os escrever. E assim começou…

2. Há quanto tempo você trabalha como ghost-writer?

R.  Desde os anos 90.

3. Quais são os tipos de trabalhos mais buscados (teses, livros, poemas)?

R. Atualmente os trabalhos mais procurados são para internet – blogs, artigos, mídias sociais, conteúdo para sites, etc., mas a preparação de autobiografias ainda é bem procurada.

4. Qual é a sua relação com as palavras encomendadas pelos clientes, isto é, não fica uma espécie de ciúme do texto que foi estruturado por você e pelo qual você não é reconhecido?

R. O meu reconhecimento vem através da satisfação do cliente.

5. Como você reage ou reagiria, quando algum trabalho feito por você como ghost-writer recebe reconhecimento ou algum prêmio, com o nome do cliente?

R. Eu só vou reagir, e mal, se algum trabalho meu não for, de alguma forma, reconhecido e admirado pelos leitores. O cliente me contratou para isso e tem que receber o melhor. E existe muito prazer em fazer um trabalho bem feito.

6. Entre os trabalhos realizados, qual foi o assunto mais interessante cujo resultado mais lhe agradou? Por quê?

R. “Não há assuntos chatos, apenas escritores chatos.” ( Henry Louis Mencken)

7. Qual é a média dos valores cobrados pelos serviços? Quantos reais custou o trabalho mais caro? E o mais barato?

R. Isso depende muito do trabalho a ser executado. Os mais trabalhosos, como os livros romanceados, logicamente têm um valor maior. Os valores menores ficam para as pequenas redações, geralmente textos publicitários.

8. Como é a rotina (apuração, redação, revisão, etc.) de elaboração de um livro biográfico, por exemplo, de uma personalidade, que lhe é encomendado hoje.

R. Primeiro é preciso analisar o tipo de material a ser utilizado – entrevistas, gravações, rascunhos, documentos, etc. Então é elaborado um roteiro de trabalho e, a partir dele, o orçamento e cronograma. Depois de revisado e aprovado o projeto, é feito um contrato com base nessas informações. Nesse contrato constarão também cláusulas sobre sigilo e garantia de direito autoral.

O sigilo é absoluto e começa a partir do primeiro contato, assim permanecendo mesmo que não seja concluída a negociação sobre o trabalho.

9. Por que você acha que o trabalho do ghost-writer é tão procurado?

R. As pessoas procuram pelo serviço porque elas têm a ideia, a história, o tema, mas não conseguem passar para o papel. Elas têm o conhecimento da escrita, das palavras, mas não conseguem desenvolver o texto. Nessas horas, cá estamos.

10. Quais são as maiores dificuldades enfrentadas na função de ghost-writer?

R. Criar portfólio. (risos)

11. Por fim, qual é a maior motivação para seguir em frente no ofício de ghost-writer apesar das críticas enfrentadas?

R. O prazer de escrever e de criar com as palavras.

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