Category Archives: Revisor

às vezes ou as vezes – crase

às vezes

  • Quando o significado for “de vez em quando” (locução adverbial de tempo).

Ex.: “Às vezes (de vez em quando) visitamos este site”

“O Corinthians às vezes perde um clássico”

as vezes

  • Quando a ideia não for de tempo, não há crase.

Ex. “Foram raras as vezes em que ele perdeu um clássico”

“Em todas as vezes, ele criou dificuldades para o adversário”

 

dar uma Palhinha ou Palinha?

Palhinha ou Palinha

Termo que confunde muitas pessoas, “dar uma palinha”(de “pala”, substantivo feminino) é a forma correta quando utilizado como “dar uma dica”, “dar uma amostra”, ou ainda, “dar uma canja” (música).

Palinha = diminutivo de pala (dica, pista). Exemplo:

“Você que ouve e não fala

Você que olha e não vê

Eu vou lhe dar uma pala

Você vai ter que aprender

A tonga da mironga do kabuletê”

(Vinicius de Moraes e Toquinho)

 

Palhinha = palha pequena. “Tirar/puxar uma palhinha” (dormir/cochilar)

 

Vila Romana – Bureau de Letras

ice ou isse? Qual a terminação?

E agora? ICE ou ISSE?

As palavras com a terminação “ICE” fazem parte dos substantivos. Veja alguns exemplos:

  • maluquice
  • tolice
  • velhice
  • rabugice
  • cafonice

A sua maluquice era tão certa quanto sua meiguice.

As palavras com terminação “ISSE” fazem parte dos verbos no modo subjuntivo (indicam uma possibilidade):

  • apaixonasse
  • divertisse
  • voltasse
  • deixasse
  • parasse

O que aconteceria se a Terra parasse de girar?

malcuidado, mal-cuidado, mau cuidado ou mal cuidado?

Malcuidado, mal-cuidado, mau cuidado ou mal cuidado?

mal-cuidado malcuidado

A forma correta de se escrever este adjetivo é: malcuidado.

Malcuidado: a que não se dedicou maior cuidado, atenção, capricho.

 

“junto com” ou “juntamente com” ?

junto com ou juntamente com?

As duas expressões, bem comuns no dia a dia, têm o mesmo significado, mas são consideradas redundantes, ou seja, há uma repetição desnecessária da mesma ideia, podendo-se usar o “com”, apenas.
Obs.: apesar de redundantes, são perfeitamente aceitáveis por questões de ênfase.
Exemplo:
Estou enviando os documentos junto com o recibo.
Estou enviando os documentos juntamente com o recibo.
Estou enviando os documentos com o recibo.

A persistirem ou Ao persistirem ?

 

A persistirem os sintomas, o médico deverá ser consultado.
Ou…
Ao persistirem os sintomas, o médico deverá ser consultado.

Qual a maneira certa?

A = condição: quando puder substituir a por caso ou se.
Se persistirem os sintomas…
Caso persistam os sintomas…

Ao = tempo
Quando persistirem os sintomas…

A frase amplamente divulgada na mídia indica condição, pois o enfermo deverá procurar orientação médica se os sintomas persistirem, e não quando os sintomas persistirem.

Correto:
A persistirem os sintomas, o médico deverá ser consultado.

 

O que é Crônica?

O que é uma crônica?

Aos mestres, a palavra:

Crônica: “gênero literário muito praticado no Brasil, consistindo num pequeno artigo sobre qualquer assunto, em tom coloquial, procurando estabelecer com o leitor uma intimidade afetuosa que o leva a se identificar à matéria exposta”. (CANDIDO, Antônio. Iniciação à Literatura Brasileira. Rio de Janeiro: Ouro Sobre Azul, 2007, p. 110-111)

Crônica: “um gênero literário, de prosa, ao qual menos importa o assunto, em geral efêmero, do que as qualidades de estilo; menos o fato em si do que o pretexto ou a sugestão que pode oferecer ao escritor para divagações borboleantes e intemporais; menos o material histórico do que a variedade, a finura e a argúcia na apreciação, a graça na análise dos fatos miúdos e sem importância, ou na crítica buliçosa de pessoas”. (COUTINHO, Afrânio. Notas de teoria literária. Petrópolis: Vozes, 2008, p. 104)

Crônica: “A crônica é na essência uma forma de arte, arte da palavra, a que se liga forte dose de lirismo. É um gênero altamente pessoal, uma reação individual, íntima, ante o espetáculo da vida, as coisas, os seres”. (COUTINHO, Afrânio. Notas de teoria literária. Petrópolis: Vozes, 2008, p. 106)

Crônica: “E, afinal, o que é a crônica? Trata-se do vôo livre da palavra, tão solta quanto na poesia, capaz de elevar o pensamento até os mais distantes confins, estabelecer os laços com a realidade ou se perder nas brumas da ficção, engajar-se às questões políticas ou se alienar nos domínios do amor, aprofundar-se na busca da verdade ou flutuar pelos imensos campos da dúvida. Ligada pelo cordão umbilical aos fatos do dia ou à época que se atravessa, ao momento histórico ou à situação eventual de uma comunidade, de um país, ao retrato de um instante qualquer na vida humana, filha do deus Khrónos (o tempo) por excelência, e por isso mesmo com a sua durabilidade abreviada pela transitoriedade intrínseca, a crônica pode subir tão alto a ponto de se tornar exemplar ou inalcançável. E, portanto, se eternizar”. (GALVANI, Walter. Crônica – o vôo da palavra. Porto Alegre: Mediação, 2009, p. 18)

 

Tudo mais ou Tudo o mais? Tudo que ou Tudo o quê?

tudo mais tudo o mais

Tudo mais ou Tudo o mais?

Tudo que ou Tudo o quê?

 

Fique à vontade para usar qualquer uma das formas.

Segundo o Houaiss:

“tudo mais e tudo o mais são ambas formas registráveis no português culto, assim como tudo que e tudo o que (p. ex., t. que ele disse e t. o que ele disse)”

“E Tudo Mais”

 

Composição: Nando Reis

 

 

 

Troféus ou Troféis? Chapéus ou Chapéis?

Troféus ou troféis? Chapéus ou chapéis?

O correto é CHAPÉUS e TROFÉUS.

Palavras terminadas em EU fazem plural em ÉUS.

Na dúvida, você pode associar com o plural de outras palavras mais comuns, como:

CÉU = CÉUS (e não CÉIS)

Exemplo: Demolição silenciosa de arranha-céus no Japão gera energia.

(Isso mesmo – a demolição é silenciosa, aproveitam tudo o que é possível aproveitar e fazem isso ainda gerando energia limpa durante as atividades. É realmente incrível. Veja a matéria completa aqui.)

RÉU=RÉUS (e não RÉIS).

(mau)Exemplo: Lista dos réus no processo do mensalão. Aqui. 

Já as palavras terminadas em EL fazem plural com ÉIS.

Pastel = pastéis (embora os paulistanos insistam que o plural de pastel é pastel)

Anel = anéis (e não anéus)

Papel = papéis (papéus? Não!)

Crase antes de pronomes – à que / à qual

Crase antes de pronomes – à que / à qual

crase

Ocorre crase se, ao substituirmos por um correspondente masculino, o resultado for ao que, ao qual.

À que

(…) é a realocação da comunidade para uma área equivalente à que ela vive hoje.

(…) é a realocação da comunidade para um terreno equivalente ao que ela vive hoje.

Ao qual

(…) em Cuba, onde agora se recupera da quarta cirurgia à qual teve de se submeter…

(…) em Cuba, onde agora se recupera do quarto procedimento cirúrgico ao qual teve de se submeter…