Como escrever um livro

Como escrever um livro

Já foi dito e é verdade: o pior inimigo de um escritor é ele mesmo. Ele e as desculpas, os desvios de rumo, os medos, a falta de disciplina. Sim, para escrever você precisa ter disciplina. Separar horas, local, fazer disso uma atividade constante.

Vamos começar um pequeno exercício de perguntas e respostas.

Você gostaria de escrever um livro, mas…

Não tem tempo?

– Você sempre conseguirá arranjar tempo. Basta se organizar. Na verdade, o que geralmente acontece é de ser o tempo uma desculpa para uma sensação de impotência diante do material de escrita, seja um computador ou papel e caneta. Mas para que você tenha a escrita como parte da sua rotina – sim, isso é importante – separe alguns minutos, digamos, meia hora por dia. Isso basta por enquanto. Todos os dias, durante esses minutos, escreva.  Escreva sobre qualquer assunto, qualquer coisa. Não fique se limitando. Escreva uma opinião sobre uma notícia, descreva algum acontecimento do dia, escreva uma carta, um desabafo, imagine-se no lugar de alguém injustiçado e escreva uma reclamação dirigida a algum suposto responsável pelo infortúnio, coloque-se no lugar de quem receberá a carta-reclamação e escreva uma resposta refutando a questão. Viu como as coisas vão fluindo?

Mesmo que não tenha vontade, escreva. Faça disso um exercício, uma rotina, assim como escovar os dentes, tomar banho, assistir TV. Aos poucos e naturalmente você irá aumentando esse tempo, esses minutos dedicados à escrita, e o ato de escrever passará a ser algo trivial no seu dia a dia.

Precisa de mais informações sobre o tema escolhido para redação?

– Pois então comece a escrever com as informações que tem no momento, e concomitantemente (palavrinha feia essa – vamos trocar por simultaneamente?), vá pesquisando. É isso: escreva e pesquise ao mesmo tempo. Ou irá passar o resto da vida pesquisando, pesquisando e pesquisando, sem sequer começar o texto.

Você tem todo o enredo mentalmente pronto, mas não sabe como passar isso para o papel (ou editor de textos)?

– Eu costumo dividir em um papel (papel mesmo!) minhas ideias, separá-las em blocos.  Isso facilita organizar a história. Além disso, não preciso escrever pela ordem de acontecimento dos fatos. Mas existem várias técnicas apresentadas por diversos escritores. Cada um tem seu estilo e você deve criar o seu. O importante é começar.

A dificuldade para iniciar a escrever é a mesma que encontramos para qualquer caminhada, seja ela longa ou não: dar o primeiro passo.

E não se aflija – há pouquíssimas chances de a história sair pronta já na primeira tacada. Então, não se preocupe com detalhes por enquanto. Vá escrevendo, escrevendo, escrevendo. Escreva da forma como as coisas lhe vêm à cabeça, sem se ater a minudências gramaticais, ortográficas ou de enredo. O mais importante, numa primeira fase, será dar corpo, dar forma à obra.

Ao longo do projeto, você irá reescrever várias partes da obra, acrescentar algumas, retirar outras, substituir várias. Modificar palavras, expressões, termos.

E é assim: escrever é ir, artesanalmente, moldando as ideias. E para isso você precisa estar com suas ferramentas de trabalho sempre bem afiadas.

Costumam dizer que a melhor forma de escrever bem é ler muito. Se você não concorda com isso, sinto lhe dizer, mas é verdade. Ler funciona como um alongamento, um exercício preparatório.

Um jogador de futebol precisa de pré-temporada, concentração e ritmo de jogo; o escritor precisa de criatividade, concentração e disciplina.

Atores costumam fazer laboratórios para melhor representar seus personagens. O escritor se vale dos livros, da leitura. Se você vai escrever uma biografia, leia biografias. Se for um romance policial, leia autores do gênero.

Num próximo artigo vamos tratar de uma técnica de leitura crítica para seu texto.

Até a próxima.

Equipe Vila Romana

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